centrar, será?

o invernoprimaveraverão dançava pelo ar
e o calor queimava as minhas pernas
fazendo com que eu andasse cada vez mais e mais depressa
tudo tão volátil mas algo de permanente paira por aqui

uma constante falta de ar
não faça assim
eu me movo do centro para fora
não me descentralize

por mais que eu queira

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“Só uma rua nos separa.”

“Que poético isso.”

(sorrisos)

E você ainda pode vir de bicicleta.

viva a noite

champagne noturno, bem vermelho com morango
conversas políticas e culturais
um ótimo livro
pessoas felizes
uma escritora maravilhosa
pra quê mais?

ler ou comer?

ah, livrinhos não vão faltar…!

mas o leite pode né!!!!!

(absurdos que se ouve logo no  início da semana)

então aguenta e respira fundo

Não sei qual cheiro me incomodava mais
Se era o meu, cansada, precisando de um banho, com fome
e sem vontade nenhuma para fazer nada
Se era o da geladeira, sozinha, abandonada, com todos os restos de comida da semana, todos esquecidos e deixados de lado
Ou se  eram as milhares de divagações que pulsam na minha cabeça, e isso eu também associo a um cheiro, pois está me deixando suscetível e, algumas vezes, frágil, como um odor ruim e agressivo que vem me desestabilizar.

Os cheiros ruins sempre me incomodaram, eu não gosto de sentir cheiros, por mais que eles estejam sempre em todos os lugares e eu tenha que conviver com isso. Eu tranco a respiração quando alguém com cara de cheiro ruim se aproxima de mim, e vou soltando aos poucos, deixo-me sentir levemente como é aquele odor, e se vejo que me incomoda saio rapidamente do local.

Fora os cheiros da cidade dos quais eu já sei que não gosto, é sempre um exercício de prende, solta o ar, prende, solta o ar…
Mas eu sei dos que eu gosto, e esses são como perfumes de tão nobres que se apresentam. São poucos, o que é bom mesmo é sempre em número reduzido, pouca coisa me agrada de verdade.

Mas agora eu acabo achando que o que me incomodava mesmo – e ainda incomoda – são as divagações, o pensamento pulsante, pulante, ansioso, e lá vou eu fechar o nariz por mais um instante.

leve tempo leve

Por que o tempo é bom?
Por que ele age sem a gente precisar falar,
sem a palavra precisar afirmar a dor.

O tempo pode ser um vento leve.

pergunta

e onde fica o amor?

das inquietudes

Obsessão em velhos padrões é um problema.
Passar, perpassar, repetir.
O início sempre parece novo, o caminho sempre parece longo e o fim geralmente é previsível.
E no fim chega-se sempre ao mesmo lugar. mas de um jeito diferente. com o mundo diferente, o exterior e o interior.

Existe uma inquietação permanente, sem pressa de ir embora, sem mais ser uma estranha.
Ali ela mora e vê sempre tudo igual, mas sempre ansiando algo diferente.
E então a obsessão criou vida, pois a inquietação foi ganhando uma rotina.
E da rotina ela virou apego, e o apego era persistente e sedutor, então surgiu a obsessão.

Que repete, repete e repete, talvez para sentir-se segura, não errar o caminho, confortando-se, mais uma vez.
Mesmo que esse conforto seja incômodo, e que a inquietação volte e acredite que um dia irá se satisfazer.

Three little birds

neste momento um avião passando pela minha sala seria muito interessante.
entrar nele e voar, para bem longe, para outra cultura, outro horizonte, para o estranhamento que atrai.
voar mesmo, fisicamente, mentalmente já faço todos os dias.

estou precisando voar.
não sei quando nem como alguém sente esta necessidade, mas eu a sinto claramente agora. estar no ar, sem ter o controle. indo, longe e rumo ao desconhecido, mas tendo a leve impressão de que algo bom me espera.