redescobrir

ela sai em azul de um mar de cores
redescobrir Djavan em suas notas sensibilidade
em teus olhos fechados sentir
tanto sentimento puro em um claro olhar
tanto sentir em cantar olhando pra dentro

tanta riqueza em não falar
só musicar a palavra silêncio
que é de ouro e reluz sempre
a cada abrir de olhos
em cada olhar

em todo o toque em um instrumento
poetizar por assim sentir
por assim dar

“queria saber
o que toca você
queria chegar
e poder te alcançar…
eu vou buscar
o céu, o mar
o que de mais
bonito há
pra te presentear”

mas não saber nem querer
é bom só redescobrir

poesia é te olhar, te sentir
e ter o privilégio de te ter
em um momento de encanto

a simples história de um passarinho

o passarinho saiu da gaiola
quando na gaiola ele tinha água, comida, um certo conforto
uma certa estabilidade
ele estava cômodo mas não sabia mais como havia nascido
não sabia mais o que era a aventura, a liberdade
havia esquecido do maior prazer que é voar
alguém que ele não lembra tinha o colocado ali
e ali ele foi se acostumando sem saber se era alegre ou triste
lá dentro ele apenas vivia, sem pensar em mais, até porque só queria viver
mas viver vai muito além do mesmo horizonte que o passarinho sempre via pelas grades da sua gaiola
e isto parece simples, mas o passarinho havia rapidamente esquecido
ele não lembrava mais que voar é igual a felicidade

então, um dia, ele viu a janela de sua gaiola aberta
e a curiosidade o levou à liberdade
ele vôou, vôou e vôou por todos os lados em que poderia voar
vôou alto, baixo, rasteiro, e foi aproveitando cada momento, cada (re)descoberta, e foi lembrando de quando não morava na gaiola
lembrou de quando ficou longe de sua mãe e precisou voar sozinho
lembrou de ter chorado muito mas seguiu adiante
lembrou também de todos os amigos que fez durante a sua caminhada
alguns nunca mais viu, com outros sempre voltava a voar
mas pensou que todos construiram junto a ele o que conhece por vida

voando novamente ele percebeu o quanto isso era bom
mas como pode ser difícil
ele tinha que conseguir a sua água, a sua comida e um lugar para dormir
cada dia era uma aventura diferente, e como as alegrias, os perigos e medos também estavam sempre à volta
mas ele não dependia de ninguém e podia viver intensamente a sua felicidade
e pensou que isso era maravilhoso, de uma sensação inexplicável
viu que não só o seu corpo, mas sua mente agora é que voava alto
e ele podia fazer o que quisesse com isso
ele tinha toda a natureza para acompanhá-lo e todas as descobertas do mundo pela frente
e podia sempre voltar para os lugares que mais gostava
sem precisar estar sempre preso a um só

ele só devia ser leal a si mesmo
e colocar o amor sempre em primeiro lugar nos seus vôos, na sua vida
e era isso que ele estava fazendo e aprendendo a fazer a cada batida de asas